Instante Poesia e Cultura
  

 

                                                                                             XX

 

Imóvel, sentado na banqueta da penteadeira clara, o homem de terno azul  contemplava muito além do espelho a sua frente, viajando em pensamentos longínquos. Recordou pela enésima vez o encontro relâmpago do passado. Tão breve e tão intenso. A princípio pensava se tratar de um capricho de um homem carente e perturbado, mas a afinidade que se deu ali, logo de cara, mostrou que aquele momento fôra realmente transcendental. E o seu desfecho, tão inusitado e estranho, só carimbou esta aura mágica. Não entendia o porque do fim brusco, mas sabia ser ele o catalizador de todas as suas ações morais a partir dali. Se estava agora a poucos instantes de seu mais importante momento na vida, era porque seguira o sopro venturoso daquela tarde surpreendente. Um presente surpresa que sedimentou o seu futuro e que agora, daqui alguns minutos, encontra o seu apogeu.

       Olhou para o relógio do seu pulso. Levantou-se lentamente do estofado e se dirigiu para o auditório lotado. Ao ultrapassar a espessa cortina que separa o corredor do salão principal, dezenas de flashes repercutiram das máquinas dos repórteres presentes à posse. Sentou-se e arrumou a pequena plaquinha de metal na bancada bem a sua frente com o nome completo escrito em preto e com letras maiúsculas: Jairo de Souza Duarte Serrada.

No outro dia os jornais matinais estampavam a inédita manchete: EMPOSSADO O PRIMEIRO BRASILEIRO NA PRESIDÊNCIA DA ONUD. O Jornal Meridional, o maior periódico do Brasil e da América Latina neste ano de 2038,  acrescentava enfático em sua primeira página: AMAZÔNIA DEPOIS DA POSSE: NOVA LUTA PELO TERRITÓRIO LIVRE.

Em nenhum momento, desde a guerra EUA-Iraque, que precipitou a dissidência na ONU dos países contrários ao protecionismo comercial e ambiental americano e conseqüente criação da ONUD (Organização das Nações Unidas em Desenvolvimento),  tinha-se visto tamanha repercussão internacional envolvendo a Amazônia. Quando Jairo ainda vendia seu drops sortido nos faróis de São Paulo, a Amazônia já aparecia em alguns livros didáticos de Geografia das escolas americanas com o  nome de “PRINFA” – Primeira Reserva Internacional da Floresta Amazônica- e segundo os autores, pertencia aos EUA e a ONU desde meados da década de oitenta (com o aval do G-23), com o intuito de salvar a mais importante floresta do globo das “mãos inescrupulosas dos países latinos violentos, cruéis e irresponsáveis e de um povo primitivo”.

Guardado o delírio xenofobista do(s) autor(es) , a questão Amazônica é um dos itens mais delicados da pauta mundial . Entre os interessados envolvidos, índios, garimpeiros, grandes latifundiários, políticos, multinacionais, pesquisadores e ecologistas, todos entre o fogo cruzado da preservação e da exploração do ouro verde.

Quase quarenta anos depois do início da ONUD, Jairo assume um dos cargos políticos de maior responsabilidade social no mundo e mantém o mesmo brilho nos olhos daquele menino que caminhava entre os vidros fechados dos veículos. O mundo prossegue cego e doente. Vidros fechados, espelhos vazios, superpopulação e solidão. Mas há também paixão e fé.

 A gana deste ex-pivete permanece inabalável e sob o prisma e o efeito de sua aura o futuro até parece mesmo melhor. Quem dera.

 

 

 

 

 

 

 

Neste mesmo dia, um velho índio - xamã centenário do alto Solimões - fustigado pelo sol do Equador, chorou de esperança em sua labuta de escravo ao receber finalmente o aviso bem-aventurado dos Deuses.   

 

 

                                                                     FIM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Hay hombres que lucham un dia y son buenos/Hay otros que luchan um año y son mejores/Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos/Pero hay los que luchan toda la vida/Esos son los imprescindibles”

Bertold Brecht

 

Silvio Rodrigues

Milton Nascimento c/ Mercedes Sosa

LP Sentinela - 1980

 



Escrito por Marcos Massolini às 18h17
[] [envie esta mensagem]


 
  

XIX

 

 Dois homens, irreversivelmente ligados ao fio invisível do tempo, tecem as últimas frases de um diálogo descortinador:

- Esta paisagem que você pôde apreciar  é na verdade uma ilusão criada sob o meu ponto de vista. Este é o meu habitat no futuro, quando a pequena comunidade já não existe mais. Quando você sair daqui, o tempo voltará e você  vislumbrará o pequeno núcleo de habitantes.

- Obrigado por tudo. É muito estranho poder te conhecer  assim em poucos minutos, e nesta condição tão peculiar, você com esta barba branca de setenta anos e eu, remoçado, no viço de meus vinte anos. Mas creio nunca ter sentido tamanha emoção, talvez pelo ineditismo deste encontro e sua oportunidade única. Até já consigo te chamar de filho...

- Boa sorte meu pai! Paz e fortúnios no seu caminho. Se te conforta um último parecer, acho que o futuro pode ser mudado, mesmo já sendo conhecido. Sabemos dele, mas agora para a gente, ele ainda não aconteceu. Quem sabe....

- Que a vontade de Deus e do Cosmo seja feita.

Mais um abraço, desta vez rápido.

- Dhevas, você perdeu a vida em uma avalanche como relatou?

- Não posso te responder com todas as letras. Ao invés de morte, falemos em transposição. E digamos que eu romanceei um pouco a minha própria saga. Estou aqui, não estou? Só isto importa.

Mesmo sentindo um misto de paúra e ansiedade, Abílio ainda teve fôlego para esta  blague:

- Uma última coisa... aqui por este plano eu encontro vitrola e discos de vinil?

- Ora, ... mesmo que encontre, cadê tomada?

Entre risos, os dois sumiram no tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“ Eu quero uma casa no campo

do tamanho ideal

pau-a-pique e sapé

onde eu possa plantar meus amigos

meus discos e livros

e nada mais”

 

Casa no campo – Zé Rodrix e Tavito

LP- Elis - 1972

 



Escrito por Marcos Massolini às 18h15
[] [envie esta mensagem]


 
  

                                                                        XVIII - PARTE II

- Meu caro Abílio, eu sou Dhevas, aquele mesmo personagem daquela história; este lugar aqui é aquele mesmo narrado; fui muitas pessoas em muitas existências, inclusive serei seu filho, daqui há alguns anos.

- O quê? Meu Deus, você quer se explicar melhor?

- Serei seu filho sim, neste plano, e apareço para você agora exatamente com as mesmas características físicas dele, mas  com a idade avançada .

Abílio não conseguia esconder o queixo caído e a cara de abobalhado. Dhevas prosseguiu:

- Tudo o que foi feito na Terra foi com o intuito de reabilitar você e salvar a vida do pequeno Jairo. Pelas suas existências passadas repletas de revoluções e pela sua poderosa concentração energética, você foi escolhido para salvar aquela pobre alma. Não importava que nesta sua última passagem, você fosse um ignorante arrogante.

- Opa, peralá.... olha o respeito...

- Sinto muito...pensando melhor, até que você ficou bem maleável no fim da experiência. Bem, continuando: Tudo o que aconteceu com você até o  momento do encontro com o menino de rua foi intencionalmente direcionado para que você se libertasse das más influências terrenas e liberasse sua energia “pura” em favor de Jairo. O desfalque no seu cofre completou este "resgate" - embora você tivesse muitos bens, nunca confiou totalmente em bancos e guardava muitos objetos de valor em casa. Quando você  acolheu aquele menino em sua casa e fez o bilhete se libertando mais ainda do lado material que te prendia e te cegava, você modificou o destino do guri pra sempre.

- Mas você falou que eu o salvei...

- Sim, a nossa intenção foi esta. No outro dia, forças contrárias corroborariam para um trágico desfecho. Jairo iria se envolver com um crime; sem saber das conseqüências, iria participar de um assalto onde uma pessoa viria a falecer e apesar de não ser o responsável direto por esta morte, iria cumprir pena na Febem; de lá, ele nunca mais conseguiria sair do mundo criminoso. Com seu ato, você salvou sim este pequeno, que agora crescerá com imenso potencial para realizar uma grande missão que lhe foi confiada no futuro. Você trouxe esperança para ele . Naquele outro dia, quando o chefe da gang mirim ligou para combinar o horário do assalto, Jairo e sua mãe não estavam em casa mas na igreja orando e agradecendo pela graça concebida.

- Nossa, então tudo foi planejado! Meu Deus, como somos pequenos... tantos movimentos grandiosos...

- Pequenos sim, mas podemos influir, mesmo que com mínimos atos isolados, em revoluções imprescindíveis do Universo. Mas só voltando um pouco: Eu não apareci para você naquela praça à toa. Contando aquela história, eu já estava transferindo a você a paz e a serenidade necessárias para o seu desprendimento e transporte posterior.

- Estou perplexo! Mas ainda não entendi a parte “eu serei o seu filho..”

- Bem, você a partir deste momento vai iniciar a saga de Lahmé. O homem das montanhas que surge na pequena comunidade e conhece o seu grande amor. Eu não havia citado o passado de Lahmé porque na verdade nunca existiu este passado; aqui neste plano, alguns seres surgem já desenvolvidos e com conhecimentos adquiridos de outras esferas; na narrativa ele não se lembrava do que lhe acontecera anteriormente e é como você se comportará neste início de vida; assim que você sair deste casebre, as suas lembranças como Abílio desaparecerão, incluindo portanto tudo o que você sabe sobre Lahmé, Dinah e Dhevas. Tudo se inicia agora. Lahmé surge e é você! Avante pois!

- Minha Santa Mãe! Mas só para encerrar esta confusa relação tempo/espaço que me é apresentada, você, meu... filho (??) , veio me ajudar no futuro ou no passado? Abílio existiu antes ou depois de Lahmé?

- Bem, esta resposta é relativa. Na espiral do tempo, o futuro se choca com o passado e em certas frestas espaciais, chegam a conviver paralelamente em planos coexistentes. Estive há poucos instantes  no seu enterro simbólico na Terra, e este féretro já tem mais de dois anos. Nesta nossa história não há passado nem futuro, mas momento presente. Um ser especial precisou de intervenção imediata e para isto, dois mundos, dois planos, dois ciclos - chame como preferir –  se entrelaçaram e dividiram energia para assegurar um acontecimento precioso. Mas chega de indagações! Já nos estendemos demais nestas explicações temporais e se nos prendermos nestes assuntos que não nos competem, enlouquecemos pra sempre. É hora de nos separarmos.

- É doloroso saber que vou sair por esta porta agora e não o verei mais...

- Foi um grande erro meu. Ao narrar a nossa história, me empolguei ; não devia ter comentado sobre a sua própria morte. Mesmo sabendo que a sua memória não guardaria aquele nosso encontro, poderia tê-lo poupado deste sentimento de vazio e perda que sente agora, neste instante de transição. Me desculpa.

- Você se redimiu. Estando comigo agora, neste momento tão importante de nossas vidas, jogando uma pequena luz sobre tantas indagações que solto do escuro, você está me dando a chance de poder abraçá-lo e beijá-lo como pai. Este minuto final ficará guardado para sempre no meu íntimo e no meu coração, pouco importando sua ausência em minhas lembranças futuras. E tem mais: Posso saborear, mesmo que por pouco tempo, este sentimento único de heroísmo paterno, levando em conta que a sua narrativa como filho deixou escapar este olhar passional sobre minha pessoa.

O abraço que se seguiu foi forte e sentido, como o último abraço de um soldado em sua esposa antes da guerra, como um beijo de um filho na fronte do seu pai no leito de morte. Este abraço estremeceu dois mundos.

 

Oh, pedaço de mim

Oh, metade arrancada de mim

Leva o vulto teu

Que a saudade é o revés de um parto

A saudade é arrumar o quarto

Do filho que já morreu

 

( Pedaço de Mim – Chico Buarque

 

LP Chico Buarque – 1978)

 

 

 



Escrito por Marcos Massolini às 18h13
[] [envie esta mensagem]


 
  

 

“O melhor lugar do mundo é aqui, e agora/

Aqui onde indefinido/Agora que é quase quando/

Quando ser leve ou pesado/Deixa de fazer sentido”

Gilberto Gil – Aqui e Agora – LP  Refavela 1977

 

 

XVIII

 

Abílio, deslumbrado por tamanha beleza, resolveu entrar naquele pacato casebre. Seria aquele o paraíso de Dhevas? Pelas suas palavras, tudo era muito idêntico à narrativa. Ao abrir a porta, Abílio se assustou mais uma vez – e não é o último susto deste livro. No interior sem mobília, uma parede rústica escorava um pequeno objeto de quatro pontas, a mesma moldura, o mesmo tamanho...sim era ele....agora sim: o famigerado espelho.

 

 

***********

 

       Receoso, Abílio se aproximou com cuidado do espelho a ao mirá-lo, esboçou uma careta. Não, desta vez o seu reflexo não estava falando por si só, mas o seu rosto refletido remoçara pelo menos uns vinte anos - não havia mais rugas ou cabelos brancos e seus olhos desfilavam um brilho intenso de vitalidade. Encostou seu rosto no espelho e abriu as pálpebras com os dedos, não acreditando na jovialidade automática.

O velho adentrou o pequeno recinto no momento em que Abílio beliscava as bochechas.

 - Boas, Abílio!

Abílio arregalou os olhos e quase desabou no chão, tal o tremor que se apoderou de suas pernas.

- De..Dhevas?

- Tenho muitos nomes, Abílio. Dhevas é só mais um. Sente-se e tentarei me explicar melhor.

Abílio puxou um banquinho de madeira. O velho continuou de pé.

- Não posso contar todos os detalhes de minha missão, mas alguns lances podem ser expostos à luz do esclarecimento. O atual patamar da minha evolução me possibilitou poderes incríveis e a liberdade de vivenciar dois ou mais mundos em planos diferentes é um destes poderes.Sou Dhevas sim e aquela história narrada por mim realmente aconteceu. Vê lá fora? A mesma paisagem . Acha tudo isto coincidência?

- Não. Acho tudo muito confuso, mas sinto que este lugar é mesmo o paraíso de Dhevas.

- Sim, está certo. Mas quando narrei a história, não contei só um detalhe: este lugar está em um plano diferente do da Terra. Estes Andes não são os Andes terrestres, mas pertencem a uma dimensão sinergicamente compatível com as energias planetárias da Terra. Aquele quarto escuro em que você se encontrava antes de chegar aqui.... você sabia que passou dois anos terrestres ali, em plena desintoxicação energética?

- Dois anos?

- Sim. Para alcançar estas terras, você teve que passar por um banho purificador cósmico. Lembra do clarão vermelho que avistou em seu último momento na Terra?

- Sim, claramente! - confirmou Abílio, perturbado ainda em saber que sua memória mais recente já tinha dois anos.

- Pois então... um  transporte energético já havia acontecido, no momento em que você avistou aquela pequena estrela vermelha no céu, lembra?

- Sim! Quer dizer que ali eu já fui atingido por uma energia vindo de outro lugar ?

- Exato. Ali já teve início a sua higiene cósmica para que o teletransporte se desse com sucesso.

- Teletransporte ?

- Você foi transportado da sua casa para aquele “quartinho escuro” que chamamos de metacasulo nubilizador . Lá você ficou os dois anos terrestres, o que para este plano não é um tempo tão grande assim.

- Bem, ao acordar deste “sono dirigido”, entrei em um espelho e surgi aqui neste lugar magnífico... Agora me conte, por favor, quem é você realmente? Você falou que tem vários nomes. Como assim?

 



Escrito por Marcos Massolini às 18h06
[] [envie esta mensagem]


 
  

“ E que o passado abra os presentes pro futuro, que

não dormiu e preparou o amanhecer”

(Que as crianças cantem livres – 1973 – LP Fotografias)

Taiguara

 

 

XVII

 

Abílio abriu os olhos e acordou num cubículo estreito, dois por dois no máximo. À sua frente, vejam vocês, um espelho; Um espelho bem parecido com aquele do seu banheiro, a mesma moldura, mas bem maior, quase da sua altura. Veio à sua mente o espelho que se tornou TV dos sentimentos múltiplos de uma vida inteira pela manhã e reflexo animado de sua persona à tarde. Abílio se sentiu compelido a tocar em sua superfície quando subitamente uma abertura se  escancarou, como se por trás da moldura, um elevador aportasse. Entrou por aquela surpreendente porta e custou a firmar a vista, acostumada com a escuridão do cômodo; quando finalmente vislumbrou a paisagem, uma emoção contagiante se apoderou do seu corpo: Um imenso campo de flores se descortinava à sua frente. A brisa era refrescante e os pássaros formavam um desenho geométrico e pulsante no céu. Um casebre com chaminé e cercas se destacava em meio ao jardim.

Abílio abriu os braços e sentiu a liberdade invadir todos os poros de seu corpo. Sim, finalmente ele entendera o que o espelho lhe falara. Ele realmente era outra pessoa!

 



Escrito por Marcos Massolini às 17h49
[] [envie esta mensagem]


 
   Meus caros, caríssimos leitores. Embora eu saiba que vocês não passem de meia dúzia de gatos pingados ( eu mesmo, o Romano lá no Sul, o Fabio em algum lugar de Sampa, um clone meu feito especialmente para isso, o presidente da Ilha de Pretzel e um cara que eu não conheço mas sei que lê compulsivamente esta obra), continuarei a saga do Abilio, 9 meses depois, primeiro porque sou virginiano teimoso, segundo porque considero vocês pra ca*%$#ralho e terceiro porque tudo tem a sua hora e acho que a hora é agora. Curtam pra valer... vou fechar esta inacreditavel historia de uma batelada só, sob os efluvios de Nico Rosso, Isaac Asimov,Arthur C. Clarke, Tarso de Castro, Lima Barreto e Crispim Alves de Souza.

Escrito por Marcos Massolini às 17h46
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
HISTÓRICO
 13/12/2009 a 19/12/2009
 16/08/2009 a 22/08/2009
 05/07/2009 a 11/07/2009
 28/06/2009 a 04/07/2009
 17/05/2009 a 23/05/2009
 29/03/2009 a 04/04/2009
 08/02/2009 a 14/02/2009
 18/01/2009 a 24/01/2009
 07/12/2008 a 13/12/2008
 19/10/2008 a 25/10/2008
 24/08/2008 a 30/08/2008
 17/08/2008 a 23/08/2008
 10/08/2008 a 16/08/2008
 20/07/2008 a 26/07/2008
 06/07/2008 a 12/07/2008
 29/06/2008 a 05/07/2008
 04/05/2008 a 10/05/2008
 27/04/2008 a 03/05/2008
 06/04/2008 a 12/04/2008
 16/03/2008 a 22/03/2008
 03/06/2007 a 09/06/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 26/02/2006 a 04/03/2006
 03/07/2005 a 09/07/2005
 26/06/2005 a 02/07/2005
 12/09/2004 a 18/09/2004
 05/09/2004 a 11/09/2004
 29/08/2004 a 04/09/2004



OUTROS SITES
 Grande Ville Buffet & Eventos
 Dicionario MPB
 Biblioteca Nacional


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!