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Mestre Dorival Caymmi
(30/04/1914 - 16/08/2008)

Lá se foi o Mestre Dorival Caymmi, armar sua rede em outras paragens. Aos 94 anos, faleceu por volta das 6 horas da manhã de hoje, em sua casa no Rio de Janeiro, cidade que adotou a partir de 1938. Deixou pouco mais de cem composições e ao lado de seu conterrâneo e amigo Jorge Amado, a personificação definitiva do espírito cultural e humano de sua terra natal Bahia. Dorival forjou um estilo único e sem seguidores e mesmo quando expandiu sua verve praieira para o samba-canção carioca ou para o Carnaval, sempre imprimiu sua marca inconfundível. Não bastasse o dom para a composição, ainda foi agraciado por Deus com uma voz de baixo-cantante e tornou-se um exímio violinista, mesmo sem nunca ter estudado música. A sua “O que é que a baiana tem?” entrou para a história quando abriu as portas para o estrelato de Carmen Miranda nos EUA. E não foi a única obra sua que estava no momento e no lugar certo da história: “Rosa Morena”, “Doralice”, “Samba da minha Terra” e “Saudade da Bahia” marcaram presença no nascimento da Bossa Nova, incluídas no repertório irretocável de outro gênio baiano, João Gilberto, em seus primeiros LPs. E o que seria de Gabriela, em sua novela homônima na TV Globo em 1975, sem o tema “Modinha para Gabriela”, feita de encomenda pelo mestre e um estouro na voz de Gal Costa? Nada mal para quem sempre levou a fama de preguiçoso, pecha que jamais contestou. Mas o que não levavam em conta é que a sua famosa “lerdeza” nada mais era do que apuro, cuidado, perfeição. Tudo o que ele fez em vida, teve acabamento perfeito: canções, desenhos, quadros ( a pintura quase o fez desistir da música), poesias. Até os filhos, saíram à contento: Dori, Danilo e Nana não só seguiram a profissão do pai, como herdaram sua busca pela perfeição – aliás, gravações da família Caymmi reunida são itens disputados à tapa por colecionadores estrangeiros. Dorival Caymmi entra agora para o panteão dos gênios da música brasileira, ao lado de Tom Jobim, Pixinguinha, Heitor Villa-Lobos, Noel Rosa, Ari Barroso e poucos mais. Entra também para a eternidade, seja numa roda de praia entoando “Saudade de Itapoã”, um cantor na noite interpretando “Marina” ou uma mãe zelosa ninando seu filho com “Acalanto”: “Boi, boi, boi, boi da cara preta...”.
Escrito por Marcos Massolini às 15h27
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Voltando à série "letras" e "Minas Gerais", destaco o Chico Amaral entre os grandes letristas atuais, cúmplice do Skank em belas crônicas do nosso conturbado mundinho. Separei esta, desabafo puro contra o absurdo social; deixa queimar:
Rebelião (Samuel Rosa - Chico Amaral)
Nem todo o arsenal das guarnições civis Nem trezentos fuzis M-16 Nem as balas do Clinton, as bulas do Papa Nem os tapas dos que guardam leis Nada disso vai fazer a gente acatar O absurdo ad aeternum desse lugar Décimo círculo do último inferno Infecto, sem luz, sem letra, sem lei E pronto pra queimar Inferno de Dante diante de cada um Da hora em que começa a manhã Até a hora em que a cela se esfria, suja e sombria E a lua livre meio que zomba de nós Nem todo o aparato da Santa Inquisição Nem a dancinha do padre na sua televisão Bi Babulina chegou com gasolina e colchão E a esperança é mato no coração E pronto pra queimar Não há solução, nem mesmo hipocrisia Não há qualquer sinal de melhorar um dia Se você não se importa eu vou dinamitar A porta, a porra dessa masmorra Nem a educação do colégio Rousseau Pode dar conta do que aqui se passa Flores do mal! Luz do horror! Farol da barra dessa desgraça Só serve pra queima
Escrito por Marcos Massolini às 09h07
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