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Alguns poemas do CACASO:
SINA
O amor que não dá certo
sempre está por perto
(de "Beijo na Boca" - 1975)
HAPPY END
o meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente
(De "Beijo na Boca" - 1975)
LAR DOCE LAR ( p/ Mauricio Maestro)
Minha pátria é minha infância:
Por isso vivo no exílio
(De "Na Corda Bamba" - 1978)
ECOLOGIA
Não tá fácil, malandro,
A natureza tá ficando desarvorada
(De "Na Corda Bamba" - 1978)
Escrito por Marcos Massolini às 14h59
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CACASO ( Antônio Carlos de Brito) (Uberaba 13/03/1944- Rio de Janeiro 27/12/1987)
Dentre os poetas que se deram muito bem no oficio de "letrista", Cacaso foi peça-chave da poesia alternativa da decada de 70 e a sua natureza inquieta acabou levando-o para o caminho das parcerias musicais; aliás, com muito propriedade e desprendimento. Autor de seis livros de poesia, 200 letras de canções, além de criticas, ensaios e artigos na imprensa, Cacaso ainda não foi devidamente estudado. Separei duas letras fantásticas do homem ( as poesias vão na sequencia). Cacaso é um arraso...
LERO-LERO ( c/ Edu Lobo):
Sou brasileiro de estatura mediana Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer Porque no amor quem perde quase sempre ganha Veja só que coisa estranha, saia dessa se puder Não guardo mágoa, não blasfemo, não pondero Não tolerolero lero devo nada pra ninguém Sou descasado, minha vida eu levo a muque Do batente pro batuque faço como me convém Eu sou poeta e não nego a minha raça Faço versos por pirraça e também por precisão De pé quebrado, verso branco, rima rica Negaceio, dou a dica, tenho a minha solução
Sou brasileiro, tatu-peba taturana Bom de bola, ruim de grana, tabuada sei de cor Quatro vez sete vinte e oito nove fora Ou a onça me devora ou no fim vou rir melhor Não entro em rifa, não adoço, não tempero Não remarco, marco zero, se falei não volto atrás Por onde passo deixo rastro, deixo fama Desarrumo toda a trama, desacato Satanás Sou brasileiro de estatura mediana Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer Diz um ditado natural da minha terra
Bom cabrito é o que mais berra onde canta o sabiá Desacredito no azar da minha sina Tico-tico de rapina, ninguém leva o meu fubá
DENTRO DE MIM MORA UM ANJO (c/ Sueli Costa)
Quem me vê assim cantando Não sabe nada de mim Dentro de mim mora um anjo Que tem a boca pintada Que tem as unhas pintadas Que tem as asas pintadas Que passa horas à fio No espelho do toucador
Dentro de mim mora um anjo Que me sufoca de amor Dentro de mim mora um anjo Montado sobre um cavalo Que ele sangra de espora Ele é meu lado de dentro Eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando Não sabe nada de mim Dentro de mim mora um anjo Que arrasta suas medalhas E que batuca pandeiro Que me prendeu em seus laços Mas que é meu prisioneiro
Acho que é colombina Acho que é bailarina Acho que é brasileiro Quem me vê assim cantando Não sabe nada de mim
Escrito por Marcos Massolini às 13h53
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